Publique seu livro com a Editora Pindorama

Compre seu livro na Girafa Amarela

Conheça a revista, Primeiros Versos

Titulo: E a luz se fez Autores: Pedro Ricardo da Silva Neto e Deidimar Alves Brissi

Editorial 2021 - A Ciência no Brasil

Deidimar Alves Brissi

Pindorama Ciência - Ano 1 - Volume 1 - e2021001

A produção de artigos científicos no Brasil é relativamente alta, mas apesar do país ser atualmente a 9º economia do mundo, ocupamos o 13º lugar no número de artigos publicados, porém o impacto destas publicações não é alto. O número de patentes no país também é baixo. Um levantamento feito em 2012 mostrou que o país é 19º no mundo em patentes válidas. Ficando atrás de países como Mônaco e Suíça. Por tudo isto a matriz econômica brasileira é baseada em commodities e outros produtos de baixo valor agregado. Ao mesmo tempo, somos importadores de tecnologias. Tecnologicamente, ficamos atrás de países minúsculos em extensão, populações pequenas e com recursos naturais escassos.

O brasileiro se interessa por ciência, no entanto não temos uma cultura científica desenvolvida. Assim, para muitos brasileiros, o interesse do brasileiro não passa do nível da curiosidade. E mesmo para curiosidade e para o ensino não formal, temos poucos equipamentos de divulgação científica (museus, observatórios, planetários, etc.).

Com tudo isto, o ensino de ciências no Brasil alcança resultados pífios. Praticamente não existe na educação infantil. Alcança resultados inexpressivos nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano). Está muito focado em Biologia no ensino fundamental II (6º ao 9º ano). É totalmente voltado para a resolução de exercícios para vestibulares e o ENEM, no ensino médio.

De maneira geral, o ensino de ciências no Brasil é ministrado por professores despreparados para alfabetização científica, sem formação inicial específica: pedagogos ensinando Ciências no ensino fundamental I, matemáticos dando aula de Química e Física, etc.Isto torna a aprendizagem das Ciências em geral, muitas vezes incompreensível, descontextualizada e monótona, tornando o ensino das mesmas, de baixa qualidade e desmotivante.

Resultados em avaliações internacionais na área de educação colocam o Brasil mau classificado, inclusive no que se refere ao ensino de ciências. Dados do Programme for International Student Assessment (Pisa) - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – apresentados em 2015, colocam o país em 63ª posição entre as 70 nações analisadas. Para piorar a situação, o ensino de ciências no mundo enfrenta uma crise que vem sendo demostrado por diversos autores.

Este cenário não ocorre por acaso. As causas são muito complexas e têm seu começo no próprio modelo de colonização do Brasil. Porém, outros países, como Coréia do Sul e Japão, por exemplo, se tornaram potências tecnológicas em menos de meio século com políticas educacionais voltadas para a educação científica e tecnológica. No entanto, o Brasil não se conscientiza e não se move em busca de uma educação científica séria e consistente. Os pequenos avanços que ocorrem aqui e ali, se devem a esforços individuais e de grupos de pesquisa. No entanto, mais do que avançar, o país precisa de uma mudança de paradigma em relação à educação como um todo, mas principalmente, em relação à educação científica.

Com tudo isto, se faz necessário buscar soluções para o ensino de ciências no Brasil, a curto e médio prazo; atuando na formação de inicial de professores, na formação continuada dos professores e na divulgação científica.

Neste cenário nasce a revista de divulgação científica Pindorama Ciência, para contribuir com a alfabetização científica de nossa população.